domingo, 10 de junho de 2012

China alerta sobre verdade inconveniente no Tibet



O governo chino advertiu agências de viagens que restringem temporariamente visitas ao Tibet, região autônoma da china, conhecida entre os peregrinos budistas. A decisão vem depois de imolação recente, além de outras que preocupam o governo chinês.

No entanto, as autoridades chinesas anunciaram que os grupos de mais de cinco pessoas, acompanhadas de guia, não precisam se preocupar. A medida responde a imolação por parte dos ativistas desta região. Como parte da campanha "Tibet livre" para a independência do Tibet pela China, a partir de março de 2.011 foram assassinados mais de 30 ativistas. O último incidente ocorreu em 27 de maio, quando dois tibetanos atearam fogo ao próprio corpo, na capital do Tibet, Lhasa.

Além disso, a iniciativa das autoridades chinesas coincide com Saga Dawa festival, que marca o nascimento de Buda, segundo o calendário tibetano e atrai muitos budistas na região. Este ano, o festival começa em 4 de junho, que é também o aniversário da repressão  do governo  chinês aos protestos na Praça Tiananmen em 1.989.

Embora muitas agências de viagens tenham  se adaptado e, em algumas vezes, até a antecipar as ações das autoridades chinesas, essa decisão leva a grandes perdas. Além disso, a mesma região tem perdas significativas. Cada ano, cerca de 250.000 turistas estrangeiros e mais de 7 milhões de cidadãos da região local visitam o Tibet.

O governo da China classifica as imolações como atos terroristas e acusa Dalai Lama e as organizações tibetanas no exílio, de promovê-las e até incentivar essas ações.

A China assegura que o Tibet é uma parte inseparável de seu território há séculos, enquanto os tibetanos argumentam que a região foi virtualmente independente por muito tempo, até ser ocupada por tropas comunistas em 1951.

Fonte: RT-TV


Comentário: Eu costumo dizer que a ditadura chinesa só consegue se impor pela tradição e disciplina dos chineses, caso contrário, não daria certo. Curiosamente, nem a Rússia que concentrava o poder comunista conseguiu resistir a crise, como aconteceu com a China.

A exceção é  o Tibet, onde as pessoas apresentam uma tradição religiosa forte, capaz de impor um Estado intependente, mesmo com o exílio de Dalai Lama. 

Ao alertar os turistas sobre os supostos terroristas, o governo chinês esquece de avisar que essas pessoas são de uma religião e que ateiam fogo sobre si mesmos em nome de uma liberdade que a China nega aos tibetanos.

Pode parecer pouco para o governo chinês, seis milhões de pessoas falando uma língua diferente do mandarim, mas para qualquer país do mundo isso é suficiente para estabelecer uma nova sociedade.

Se é verdade que todos devem falar a mesma língua, e o governo chinês sabe disso, afinal, estabeleceu uma língua oficial no país, então o Tibet não é apenas um país virtual, o Tibet existe de fato.

O massacre de manifestantes tibetanos e de um homem enfrentando um tanque, continuam claro na mente das pessoas, resta saber até onde irá essa disciplina militar do governo chinês, porque até onde vai a religião tibetana o mundo inteiro já sabe.

By Jânio

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