sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O brasileiro vai a guerra




Há muito tempo atrás, quando eu fui me alistar, um capitão me perguntou se eu queria servir no serviço militar. Naquela época todos eram dispensados, com raríssimas exceções.

Eu disse ao Capitão que se houvesse uma guerra na qual eu acreditasse, eu participaria, independente de servir ou não.

...mas você tem de se preparar no exército - avisava ele.

- O senhor está enganado Capitão - respondi - se um dia houver uma guerra de verdade, os melhores homens para enfrentar essa guerra estarão nas favelas, trabalhando em seringais, pescando no mar, sem teto, sem terra...os professores poderão dar um curso intensivo, assim que terminarem as greves.

Há uma diferença muito grande entre serviço militar e a guerra. No serviço militar há disciplina, enquanto na guerra só há uma função, matar.

Para matar é preciso sobreviver, e é impressionante como o brasileiro aprende a sobreviver rápido.

Eu nunca assisti a nenhum combate de UFC, nem pretendo, mas acompanhando ao jornal, pude ver como é bizarro esse combate.

Curiosamente, eu já havia assistido lutas de boxe e notei que o UFC é muito menos "perigoso".

Eles sabem muito bem dos perigos do combate, por isso, as regras são muito mais rígidas. Ao menor sinal de perigo, o combate é dado por encerrado, diferente do boxe, onde o cérebro da pessoa é golpeado até que a pessoa não pare em pé.

No Brasil, o boxe sempre foi visto como uma forma de tirar as crianças das ruas, a disciplina continha a sua violência. Na idade média, as cruzadas foram utilizadas pela igreja, como uma forma de controlar o lado selvagem dos homens.

Chegamos ao auge dessa bizarrice, chegamos ao UFC.

Um combate de UFC mostra uma arte marcial que os brasileiros já dominam, o Jiu jitsu, combinado com boxe e outras técnicas ainda piores. Não importa se o adversário esteja caído, o importante e dominá-lo.

Nas olimpíadas, combates violentos exigem proteção. Equipamentos eletrônicos sensíveis registram os golpes, para que os juízes possam determinar o vencedor.


Na Amazônia, já não é preciso metáforas para descrever um ambiente hostil, lá, os índios que serviram ao exército aprenderam suas técnicas, e agora fazem questão de demonstrar essas habilidades, para defender seu território. Nada mais patriótico, vocês não acham?

Quando o Governo não vê uma outra solução, ainda há o recurso de deixar os grilheiros resolverem a sua maneira, causando uma carnificina.

Muitos brasileiros defende uma revolução, mas a revolução já está ocorrendo, só precisamos abrir os olhos e ver.

O brasileiro já aprendeu a sobreviver e a matar, o brasileiro já está na guerra.

By Jânio
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