quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Bilionário que mais perdeu com a crise



O magnata mexicano Carlos Slim, que no início da década era o homem mais rico do mundo, sofreu grandes perdas econômicas em 2015, valores que chegam a 20 bilhões, o que equivale, por exemplo, ao PIB de Honduras. Assim, o bilionário tornou-se o mais frágil no ranking mundial das 400 pessoas mais ricas do mundo, de acordo com a agência de informação financeira Bloomberg.

"O interessante é que o ambiente macroeconômico global negativo não tem absolutamente nada a ver com isso", diz o jornalista Maxim Baboshkin, que analisa em um artigo, para o portal Slon, as principais razões para este colapso econômico esmagador nos bolsos do bilionário mexicano.

De acordo com o jornalista, a principal razão para os problemas do magnata, como esperado, há alguns anos, deve-se à reforma da legislação do México na área de telecomunicações, que atingiu a megaempresa do empresário, America Movil. O valor das ações da empresa sofreu sua pior queda no mercado de ações desde 2008.

Trata-se da lei antitruste aprovada em Julho de 2014, que aplicou sanções severas contra a América Movil ao classificá-la como "operador dominante"(empresa que controla uma quota de mercado superior a 50% no seu sector).

Para evitar essa classificação, Slin anunciou em 2014 a venda de 30% da América Móvil, mas o seu plano não se concretizou. Outro passo para reduzir a sua participação no mercado foi a criação da empresa Telesites com a divisão de ativos da América Móvil.

No entanto, como salientou no início de dezembro o Instituto Federal de Telecomunicações (IFT), a América Móvil continua com o monopólio do setor com todas as consequências que isso implica.

"Então, para se livrar de sanções, pode ser que Slim tenha que vender alguns de seus ativos favoritos, ou terá que continuar a sofrer perdas", argumenta Baboshkin, lembrando que a situação da América Móvil torna-se ainda mais complicada pelo concorrência de empresas como a AT & T, associada a Iusacell e Nextel.

Versão "Quase conspiratória"

Além da "defesa do consumidor", a luta das autoridades mexicanas contra o monopólio de Carlos Slim no mercado das telecomunicações pode ter outra explicação "quase conspiratória", diz o repórter, detalhando o suposto apoio de Slim para a oposição mexicana, Andrés Manuel López Obrador.

"Lopez Obrador e seus aliados mais próximos têm feito declarações duras   contra o atual presidente, que não poderia ficar indiferente", diz Baboshkin.

No entanto, o autor do artigo continua, "antes de se tornar um patrono da Esquerda", o bilionário destinava fluxos financeiros a uma outra organização: o Partido Revolucionário Institucional atualmente no poder (PRI). "E parece que os atuais líderes desta organização não gostam dos jogos de clientelismo político de Slim", diz Baboshkin.

E agora o que?

"Para um observador de fora, pode parecer que em termos absolutos, nem tudo esteja tão mal assim e que Slim ainda tenha ampla margem de manobra", escreve o analista. "No entanto, parece que a posição de Slim nas listas das pessoas mais ricas do mundo dependerá tanto das condições macroeconômicas como de suas batalhas secretas com o partido do  poder no país", acrescenta.

Por último, o futuro do bilionário também dependerá da "capacidade dos filhos do magnata em negócios", diz o jornalista.

RT-TV

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