sábado, 16 de junho de 2012

Jornalismo da morte



A Associação de Jornalismo Investigativo (Abraji) está preocupada com o aumento do número de jornalistas mortos no Brasil, afinal, foram 21 jornalistas mortos desde 2.002, e nunca tantos jornalistas foram mortos como em 2.012.

Eu não sei se vai adiantar reclamar, com a violência observada no país. São tantos exemplos negativos, como polícia armada em escolas, psicopatas invadindo escolas, violência no trânsito, assassinos dentro da própria família, etc.

Da maneira como o jornalismo é feito, é natural que ocorram assassinatos.

Na minha opinião, essa ideia de ficar mostrando crimes e descrevendo a violência, sem objetivo nenhum, gratuitamente, não leva a nada, pelo contrário, pode até agravar um problema que já é caso de calamidade pública.

Se alguém quer mostrar os problemas nos morros, deve contratar alguém de lá. Até no cinema já ficou claro que os problemas da miséria em favelas é melhor retratado pelo ponto de vista dos próprios moradores.

Para expor os problemas nas favelas ou em qualquer outra parte do Brasil, é preciso preparo. Preparo igual o da polícia ou até melhor.

È preciso aproveitar todo tipo de material que mostre a realidade, sem edição e deixar de ser tão parcial, hipócrita.

Essa forma de mostrar uma informação parcial, descritiva, padrão e antiquada, expõe os jornalistas a riscos desnecessários, ou seja, os jornalistas acabam fazendo parte de uma realidade que nem sempre estão preparados, pior, expõe seus familiares também. Não estamos falando só de problemas sociais e crimes isolados, estamos falando de guerra civil, onde os políticos andam em carros blindados e com seguranças armados, enquanto as pessoas convivem com esse ambiente.

Quando os jornalistas registram uma operação policial, há uma preocupação maior, exigida pela própria polícia, mas os riscos são maiores também.

Os melhores registros jornalísticos noticiados atualmente, são registrados por câmeras de segurança, câmeras escondidas, celulares, etc.

Eu confesso que eu ainda não compreendi o conceito de polícia pacificadora, afinal, o que vem a ser isso?

Seria pacificar uma guerra de fato, conflitos, guerras civis? Ou seria reconhecer que há áreas marginalizadas, abandonadas e que se tornaram um problema maior do que se esperava, exigindo uma atenção a qual essas pessoas marginalizadas nunca mereceram por parte do estado.

Os mesmos tanques que entraram nas comunidades, quando a situação se tornou incontrolável, são os mesmos tanques que deveriam entrar lá em Brasília, na câmera dos deputados, senado, para resolver uma situação ainda pior e que dão origem a toda essa violência.

Eu vou dizer porque morrem tantos jornalistas, blogueiros e investigadores da polícia. Eles morrem porque são diretos em seus discursos e ações, e vivem uma luta insólita, inglória, cujo futuro é um só, a morte.

Se todos reagissem e dissessem o que pensam, primeiro haveria uma reação, depois alguns tumultos, até que os políticos e corruptos seriam pegos pela intolerância popular, a maioria teria de renunciar, e os novos seriam muito mais idealistas.

Nem é preciso dizer o que pensa, desde que haja algum tipo de manifestação sincera, manifestação convincente e que possa disfarçar a covardia que tem se tornado a nossa marca registrada.

Como disse um leitor brasileiro que mora na Argentina: lá, bastam vinte pessoas para fechar uma rua e, para bater nesses manifestantes, a polícia deverá ter um bom motivo, caso contrário, os vinte manifestantes se tornaram vinte mil.  Tudo é muito bem registrado e cada pessoa é controlada, inclusive, possíveis conspiradores.

Basta escolher locais estratégicos, preparar as câmeras e registrar tudo. Como as mídias de massa não terão interesse em tais manifestações, tudo deverá ir direto para a internet e para a imprensa internacional.

No caso das investigações, é como eu disse, tudo deverá ser feito secretamente. A época do jornalismo de mentira já passou, muitos jornalistas morrem porque os criminosos tem medo de uma coisa que nunca existiu no país, justiça.

By Jânio
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